APÓS 30 ANOS O MUTUM DO NORDESTE VOLTA PARA CASA

MUTUM DO NORDESTE (foto naturezalindabela.blogspot.com.br )

Extinta da natureza na década de 8O, o MUTUM DO NORDESTE (Pauxi mitu) está pronta para voltar para casa. (foto midiamax.com.br)

 

Atualmente encontra-se extinto na natureza, em conseqüência do desmatamento e da caça predatória. Trata-se de um dos primeiros casos de extinção de uma ave em nosso país devido à intervenção humana.

Após mais de 30 anos sem qualquer registro na Mata Atlântica, o mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), também conhecido como mutum-do-nordeste, será reintroduzido à natureza.    A história desta que é a única espécie brasileira na categoria Extinta na Natureza (EW) da Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção e da Lista Vermelha da IUCN iniciou-se há 42 anos, quando o conservacionista carioca Pedro Mário Nardelli foi a Alagoas resgatar alguns exemplares antes que a mata onde viviam fosse completamente destruída.

Em setembro 2017 um casal da espécie foi colocado em um viveiro para início do processo de adaptação, afim de  se concretizar o primeiro caso de reintrodução de espécie extinta na natureza no Brasil.

GOVERNADOR ASSINA O DECRETO TORNANDO O MUTUM A AVE SÍMBOLO DE ALAGOAS

O ato marcou a inauguração do Centro de Educação Ambiental Pedro Mario Nardelli em Rio Largo, Alagoas. Na data o governador Renan Filho assinou um decreto tornando o Mutum-de-Alagoas a ave símbolo de Alagoas.

O espaço será aberto ao público em 2018, e um contrato entre a Usina Utinga Leão e o IPMA, que durou 10 anos e foi prorrogado por mais 20 anos, permitirá que outros três casais da ave sejam trazidos para Alagoas e reintroduzidos na natureza.

Durante o evento, Roberto Azeredo relatou o quão complexo vem sendo reintroduzir a espécie: “Olha como é grave deixar uma espécie chegar a esse nível de ameaça. Trabalhamos durante 42 anos para chegar nesse momento de trazer a ave de volta a um viveiro de Alagoas. Foi um alto nível de complexidade, com muitas pessoas envolvidas. O valor disso não é só para nós que fizemos o trabalho, mas também para o Estado de Alagoas”, disse ele.

Viveiro onde habitará as duas aves até a reintrodução definitiva. Foto Marco Freitas.

Fernando Pinto descreveu os próximos passos para a reintrodução da espécie: “Quando tivermos o relatório do Batalhão Ambiental dizendo que não temos mais caçadores e que tudo está se encaminhando bem, no primeiro semestre de 2018 estaremos soltando o mutum na mata”.

Segundo Marco Antonio de Freitas, analista ambiental do ICMBio lotado na Estação Ecológica (ESEC) de Murici: “É motivo de muito orgulho ver a volta de uma espécie extinta na natureza. E não se trata de uma espécie qualquer. Trata-se de uma espécie emblemática, de porte grande para as aves, e que é considerada uma espécie-bandeira [por ser muito chamativa e carismática] e também uma espécie “guarda-chuva” [termo utilizado para designar espécies que, quando protegidas, toda a área ou ecossistemas envolvidos em sua área de vida, bem como todo o conjunto de espécies que vivem ali, são também beneficiados]”.

O analista chama atenção para uma ação fundamental para o sucesso da reintrodução, que é a fiscalização: “A área de mata, apesar de possuir um fragmento de Mata Atlântica bem conservada em parâmetros de vegetação e sua estrutura, precisa de um controle efetivo contra os caçadores.

A espécie foi salva da extinção graças aos esforços de reprodução e conservação desenvolvidos pelo zoobotânico Mário Nardelli, no Rio de Janeiro, que aumentou o número de indivíduos de 12 para 44. Em 1999, o local fechou por dificuldades financeiras e 24 de seus exemplares foram enviados para a Crax, em Contagem, Minas, e para o Criadouro Científico e Cultural Poços de Caldas, em Poços de Caldas, também em Minas.

MUTUM DO NORDESTE (foto naturezalindabela.blogspot.com.br )

Hoje, cerca de 230 indivíduos, alguns deles híbridos de mutum-de-alagoas e mutum-cavalo (Pauxi tuberosa), sobrevivem em cativeiro em três criadouros e centros de pesquisa em Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, onde também houve sucesso na reprodução dos casais.

A reintrodução do mutum depende da integridade dos remanescentes de Mata Atlântica, principalmente os das Usinas Serra Grande e Utinga Leão em Alagoas, que estão entre os mais aptos a receberem a ave, bem como alguns fragmentos em Pernambuco.

Fonte:http://http://www.oeco.org.br/reportagens/reintroducao-do-mutum-de-alagoas-esta-proxima-da-realidade/

 

Yes No