Papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) foto: Gabriel Borali de Abreu (Presidente da ONG C.E.B. Centro de Estudos Biológicos)

Aumenta a população, mas em SP a situação ainda é preocupante

Esta espécie de papagaio “cara-roxa” (Amazona brasiliensis) só existe numa estreita faixa do bioma Mata Atlântica situada do litoral do Paraná ao litoral sul de São Paulo.  A espécie já esteve gravemente ameaçada de extinção, mas censos atuais indicam que a população tem se recuperado bem.

Papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis)
foto: Gabriel Borali de Abreu (Presidente da ONG C.E.B. Centro de Estudos Biológicos)

    O Projeto de Conservação do Amazona brasiliensis, começou em 1998 e, em 2014 a espécie saiu da categoria “vulnerável” da Lista de aves Ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente e hoje o Papagaio-de-cara-roxa é considerado “quase ameaçado”. Segundo a SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental), organização responsável pelo projeto de conservação deste papagaio no Brasil, a espécie soma mais de 9.000 indíviduos atualmente. Um estudo molecular realizado nesta espécie sugere como parente mais próximo, o Curica (Amazona amazonica). Enquanto que no Paraná a população desta espécie tem se mantido estável, em São Paulo a situação é triste onde ninhos são saqueados e  filhotes capturados para abastecerem o comércio ilegal de aves.

Acredita-se que em São Paulo, os ninhos estão em áreas muito próximas de centros urbanos, facilitando o sequestro dos filhotes por indivíduos inescrupulosos que chegam a destruir cavidades naturais para conseguirem retirar os jovens “cara-roxas”.

O que anima é que parte dos moradores mais antigos desta região do litoral paulista, estão colaborando na proteção dos ninhos, o que ajuda muito na manutenção dos que já estão cadastrados pelos pesquisadores.

Desde o início do monitoramento da espécie no litoral paulista em 2014, em 21 ninhos somente 10 filhotes “vingaram”(conseguiram sair voando dos ninhos).  Um número pequeno se comparado ao período reprodutivo no Paraná entre 2017 e 2018, 66 filhotes deixaram 120 ninhos.

No litoral do Paraná, o Projeto monitora sítios reprodutivos desde 1998 e trabalha com diversas ações de educação para a conservação. Um deles, o trabalho de conscientização da população local na região dos ninhos auxilia em muito, onde alguns habitantes devidamente treinados, fazem o monitoramento, anilham e posteriormente acompanham.

Quase 100% dos ninhos artificiais instalados pelo projeto estão ocupados. | Foto: Arquivo SPVS

O fato da espécie viver praticamente a vida inteira em uma mesma árvore, contribui muito para a localização e ação dos traficantes e segundo Felipe Feliciani (analista da WWF Brasil) na maioria das vezes, ao perder o parceiro as aves ficam sozinhas pelo resto da vida, mesma situação quando perdem o ninho, é comum que não voltem a construí-lo.

No Projeto os bichinhos recebem cuidados especiais.-Foto-Arnaldo-Belotto

Entre as ações do Projeto, são fomentadas as atividades de educação entre jovens, cursos de formação para professores da rede pública de ensino das localidades próximas, ações culturais como exposições de arte com o tema Mata Atlântica e até um livro infantil contando a história do Papagaio-de-cara-roxa.

As atividades do projeto contam com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e da Fundação Loro Parque.

Papagaio-de-cara-roxa em cativeiro “criadouro” Foto Pedro Teles

Outra preocupação é com as pessoas que receosas da fiscalização e arrependidas pela compra ilegal do papagaio, resolvem de uma hora para outra, soltá-los na natureza.  Segundo, Patrícia Serafina (ICMBio), a soltura desses bichos que não nunca tiveram contato com a natureza, pode colocar sua vida em risco e ainda levar contaminação aos que vivem na natureza.

A disseminação de doenças, como o “circuvírus”, que não existia no Brasil,  mas já há casos contabilizados em papagaios em cativeiro, no caso da pessoa não ter conhecimento de que seu papagaio possui a doença, ao soltá-lo na natureza, estará introduzindo uma doença que poderá ter consequências irreversíveis.

Segundo os especialistas, a mensagem ideal para todos é: “não prenda”. Uma vez em cativeiro, não solte na natureza sem antes consultar um biólogo especialista em aves e passar por um veterinário. Para Roberto Cabral, coordenador de fiscalização do IBAMA, só existe tráfico porque existe quem compra. É necessário a conscientização e apoio da população em coibir esta prática, até porque é considerado crime, e ressalta, “quando você encontrar na casa de um amigo, este tipo de ave na gaiola, é preciso existir uma repreensão”.


LITORAL DE SÃO PAULO

Segundo Gabriel Borali de Abreu, presidente da ONG CEB (Centro de Estudos Biológicos) e coordenador do Projeto Papagaio-de-cara-roxa com sede no município de Itanhaém/SP divisa com Peruíbe/SP,  existem atualmente aproximadamente 1.746 indivíduos vivendo no litoral paulista.

Mapa de indivíduos por dormitório

Gabriel ressalta que o dormitório dos papagaios também fica no município de Itanhaém, “normalmente eles transitam indo procurar o sítio de alimentação na região de Mongaguá, Peruíbe, Itanhaém, sendo que a grande parte da população volta para dormir mesmo em Itanhaém”.

O trabalho incansável do CEB no Projeto, com ações educacionais e monitoramentos mensais, tem tido o reconhecimento dos pesquisadores e o apoio da população caiçara da região.

 

Diretoria e membros do CEB com equipe Guia Birding Brasil – AVISTAR 2017

 

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